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Velotopia. Vêm aí as cidades só para bicicletas?

(Imagens: Cycle Space)

(Imagens: Cycle Space)

Cidades concebidas para bicicletas, onde as pessoas se deslocam sempre a pedalar: para o trabalho, para levar os filhos à escola, fazer compras, passear. Foi com esta ideia em mente que uma equipa de designers a trabalhar na Austrália deitou mãos ao trabalho.

É um facto que o aumento das vias destinadas a ciclistas tem feito crescer o número de pessoas que se desloca de bicicleta no dia-a-dia, seja em Portugal, no resto da Europa, mas também nos Estados Unidos, no Brasil ou na Austrália.

Só que para conseguir demover definitivamente as pessoas de se deslocarem nos automóveis particulares é preciso mais do que ciclovias, concluíram os especialista citados pela revista Fast Company.

Para isso é necessário reformular por completo as cidades e a forma como são construídos os edifícios. ” A cidade do futuro não deve ter infraestruturas para o ciclismo, deve ela própria ser a infraestrura para se andar de bicicleta”, considera Steven Fleming, professor de desenho urbano e diretor da empresa Cycle Space.

Depois de imaginarem o principio, deitaram mãos à obra e ali, na própria cidade, exemplificaram com um projeto o que pode ser um edifício amigo das bicicletas, com rampas que permitem ás pessoas vir da rua e entrar pela casa a dentro com a bicicleta e arrumá-la na cozinha, por exemplo, onde poderá servir de suporte para o berço de um bebé ou para receber a roupa acabada de sair da máquina de lavar.

Na rua, as ciclovias também têm que ser redesenhadas e construídas de modo a proteger os ciclistas da chuva, da neve ou do sol, para poderem deslocar-se em qualquer altura, sem constrangimentos, defende Fleming.

Se os transportes públicos são fechados e confortáveis, se os percursos destinados a peões têm coberturas para os proteger, não se entende a razão dos ciclistas serem a exceção e terem que andar equipados com fatos à prova de chuva e de frio e com o protetor solar na mochila, considera ainda o urbanista australiano.

Volutopia3Outro fator preponderante na equação para pôr toda a gente a andar de bicicleta é poder arrumar o velocípede dentro de casa, o que também se consegue projetando os edifícios com esse objetivo em mente. Em casa ou no trabalho, sem um sítio seguro para guardar o velocípede, muitas pessoas não vão querer andar de bicicleta. Há ainda os roubos e o vandalismo a desmotivarem o uso da bicicleta, se não houver sítios seguros para as estacionar.

Noutro conjunto de trabalhos, os designers mostraram o que pode ser uma “Velotopia”, como lhe chamaram, uma cidade onde toda a gente se desloca de bicicleta, desde o polícia ao taxista, com as bicicletas elétricas mais potentes a assegurarem a distribuição das mercadorias. Os edifícios seriam ligados por pontes pedonais e por baixo circulariam os ciclistas, que entrariam nos prédios por rampas e circulariam pelo seu interior para chegar a cada casa.

Steven Fleming aguarda que, agora, quem projeta as cidades pegue nas suas ideias e as aplique.”Isto é tudo 100 por cento real”, garante.Pedais.pt

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